Adolfo Mesquita Nunes: “É absurda e intolerável essa chantagem que está a ser feita a Conan Osíris”
Créditos da imagem: RTP-Pedro Pina

Adolfo Mesquita Nunes: “É absurda e intolerável essa chantagem que está a ser feita a Conan Osíris”

04/04/2019 0 Por Bernardo Matias

Adolfo Mesquita Nunes, advogado ex-dirigente do CDS-PP, veio criticar os apelos de boicote lançados a Conan Osíris, sugerindo-lhe que não fosse a Tel Aviv representar Portugal no Festival Eurovisão da Canção (ESC). Quem pede o boicote, alega as questões políticas e as infrações aos direitos humanos cometidas por Israel no âmbito do conflito israelo-palestiniano.

Mas na opinião de Adolfo Mesquita Nunes, que escreveu numa crónica para o Diário de Notícias, o intuito de tais apelos de boicote não é sensibilizar para o problema: “Não se pense que o objetivo é a sensibilização de Conan e do mundo para a problemática do conflito israelo-palestiniano. Se fosse, estariam a pedir-lhe para fazer ouvir a sua voz em Israel, para visitar organizações que trabalham pela paz, para se deslocar às zonas de conflito ou para contactar com artistas locais. […] Podia mesmo ser um pedido de quem tem posição definitiva, […], como se a coisa fosse assim, simples simples. Mas não é nada disso”.

O advogado considera que o que se pede a Conan Osíris é um boicote a Israel e não representar Portugal em Tel Aviv por ser naquele país específico:

– Porque Israel é Israel e é Israel. E Israel não pode receber o Conan, nem artistas nem conferencistas nem romancistas nem publicistas […] porque Israel é Israel e em Israel não se pode ir, não se pode estar, sob pena de se compactuar, de se tomar uma posição. Ir a Israel, ao que parece, é legitimar o governo de Israel, a política de Israel, […] como se Israel não fosse a única democracia do Médio Oriente, onde há oposição, onde há movimento pacifista, onde há imprensa livre, onde mulheres são tratadas por igual, onde as minorias têm direitos – tudo coisas inexistentes nos países vizinhos que nunca ninguém boicota. E ninguém boicota esses países porque não é assim que se faz a mudança e se sensibiliza o mundo”.

De seguida, Mesquita Nunes recordou que não se ouviram tais apelos a boicote quando o ESC foi em países como Rússia (2009), Ucrânia (2005 e 2017) ou Azerbaijão (2012) que também têm práticas dúbias quanto ao cumprimento dos direitos humanos: “Claro que não houve nem há apelos ao boicote desses países, porque a conversa do boicote só se aplica a Israel”, sustentou.

Para o antigo dirigente centrista, Conan Osíris vai representar Portugal num evento tolerante e não vem legitimar os atos praticados por Israel: “A ida de Conan a Israel é a representação de Portugal num dos eventos mais tolerantes do mundo, um evento que força os países organizadores a tolerar e a permitir atitudes e comportamentos que alguns deles normalmente proíbem. A ida de Conan não significa qualquer legitimação de qualquer ato de Israel, assim como se Conan tivesse optado por não concorrer ao Festival RTP na possibilidade de, ganhando, ter de ir a Israel não significaria uma legitimação de qualquer ato terrorista contra Israel”.

E Mesquita Nunes termina a sua crónica com um outro apelo: “É por isso absurda e intolerável essa insinuação, essa chantagem, que está a ser feita a Conan. Deixem o Conan em paz”.

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