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CRÓNICA JESC 2021: ‘Qami, Qami’… e o vento esteve a favor da Arménia

CRÓNICA JESC 2021: ‘Qami, Qami’… e o vento esteve a favor da Arménia Créditos da imagem: Andres Putting/EBU

O Festival Eurovisão da Canção Júnior (JESC) regressou este ano às atuações ao vivo e com regresso da maioria dos países que haviam saído ano passado, totalizando 19 participantes, o segundo maior registo de países a concurso. Ainda com a numerologia a ser interessante: 19.ª edição, 19 países e realizado num dia 19!

A França foi a anfitriã, sendo a La Seine Musicale o local que acolheu o JESC com data mais tardia de sempre, no último domingo de dezembro que antecedeu o Natal. Houve, porventura, a intenção de aproveitar a quadra natalícia no agendamento, mas tal não se verificou (e bem) durante o espetáculo. Não apareceu o ‘Papai Nöel’ com presentes… (smile xD).

A organização francesa foi fraquinha. O palco foi dos mais fracos, muito largo e com aquele pequeno prolongamento à frente desnecessário. O trabalho de câmaras igualmente fraco, muito longe com poucos planos de imagem. Foi quase inexistente o ‘camara men’ no palco. Mas o pior foi mesmo reduzirem a imagem verticalmente com as barras pretas.

O tema #Imagine, com grafismo que uns diriam aludir a uma árvore de Natal com estrela, mas a mim foi mais evidente a alusão à Torre Eiffel. Tema que para este ano quis continuar a temática de imaginação vinda da canção vencedora no ano anterior, recorde-se que foi J’Imagine por Valentina.

E eis que começou exatamente com Valentina mas apenas dando boas-vindas, curiosamente primeiro em Inglês e depois em Francês seguida pelo já tradicional desfile de bandeiras, culminando o momento de abertura com dançarinos vestidos com a cor da bandeira francesa, representando-a em palco.

(Continua após o vídeo)

 

Normal apresentação do início do concurso pelos três apresentadores, e começaram as atuações, que passo a comentar:

  • A Alemanha voltou novamente a abrir as atuações, e apoiou-se no tema deste ano. Com Imagine Us por Pauline teve-se uma primeira canção bem animada com muita cor. Adequada para um JESC mas que no final seria expectável levar ao esquecimento e ficar nos últimos lugares.
  • A Geórgia trouxe um carismático Niko Kajaia a interpretar Let’s Count The Smiles de uma forma muito divertida. Houve também muita cor e dinamismo em palco. Uma das minhas favoritas à vitória. Lugar merecido.
  • A Polónia voltou a apostar para vencer novamente, tendo em Sara James uma atuação segura e cativante. Ao ver a jovem só me fazia lembrar “esta é filha da Rihanna” (smile xD). Um ‘staging’ bem pensado dominando as cores da moda rosa e azul claro e que bem poderia pôr este Somebody no Festival Eurovisão da Canção (ESC). Lugar merecido e a vencer preferia que fosse esta à vencedora.
  • A primeira dupla chegou com Malta. Ike & Kaia com a canção My Home tiveram uma atuação boazinha mas a ideia desta proposta dividindo o palco em dois estilos musicais e a própria dupla não funcionou. Para variar ter pelo meio das canções um bocado de hip-hop foi bom. Colocaria nos últimos lugares.
  • A vitória no ESC de Itália levou-a a apostar num rock para o JESC. (smile xD). Elisabetta Lizza interpretou Specchio (Mirror On The Wall), uma atuação bem conseguida, com energia e diga-se que talvez das poucas atuações onde houve um maior e dinâmico trabalho de câmaras. Apesar do triunfo rock no ESC, não preveria que a Itália vencesse e no fim o lugar foi aceitável.
  • Seguiu-se uma canção daquelas que apelido de ‘fofinhas’. Com Voice Of Love a Bulgária trouxe-nos uma dupla, em que Martin esteve melhor, sobressaindo vocalmente, que Denislava. Apesar da atuação adequar-se ao estilo da canção, foi das mais fracas. Resultado nos últimos lugares previsível.
  • A Rússia titulou a sua canção em francês Mon Ami com uma atuação muito boa de Tanya Mezhentseva. Foram buscar dinamismo com muito recurso aos LED’s, na falta de opções de planos de câmaras, foi bem pensado e conseguido. Gostei bastante e lugar merecido.
  • Que trapalhada esta atuação de Maiú Levi Lawlor pela Irlanda com Saor, em que nada funcionou. Muito enérgico mas ‘comia’ a letra, mal se percebia parte do que ‘dizia’. Ficou em penúltimo, pensei que ficaria mesmo em último.
  • Depois seguiu-se a Arménia, uma das favoritas à vitória, não estando nas minhas favoritas, com Maléna e Qami Qami numa atuação já mais de ESC, bem executada. Dominaram as cores da moda como o rosa e roxo, teve direito a um final com pirotecnia. Uma aposta bem conseguida e com Qami Qami que fica no ouvido (tradução livre para ‘Vento Vento’). E o vento esteve a favor da Arménia que triunfou e ganhou o JESC.

(Continua após o vídeo)

 

  • Mais uma dupla desta vez pelo Cazaquistão com uma proposta inclusiva mas que não funcionou com quase toda a canção Ertegi Älemi a ser interpretada por Alinur Khamzin ficando um rap já na parte final para Beknur Zhanibek. Posição classificativa inflacionada.
  • Com uma mensagem forte a Albânia trouxe Stand By You por Anna Gjebrea. Muito interessante, uma atuação bem conseguida, mas que não ficou memorável. Ainda assim merecia mais do que o lugar alcançado.
  • Pela Ucrânia temos a própria intérprete Olena Usenko que compôs e escreveu Vazhil. Atuação adulta para adultos, com toda uma atmosfera muito séria. Apesar de uma prestação boa, não daria lugar tão alto pelo facto de não se apropriar a este festival.
  • Para descontrair da anterior, seguiu-se o anfitrião, a França que apresentou uma proposta nos mesmos moldes da que lhe deu a vitória. Vibrante, orelhuda, animada… Enzo Hilaire apresentou-se dinâmico e sempre contagiante com o ritmo deste Tic Tac. As cores dominantes de dourado, prateado, branco, foram uma boa aposta e a isso juntaram-lhe pirotecnia. Venceu no voto do júri, porém caso ganhasse o concurso seria bem entregue o troféu.
  • Secante esta balada One Of Those Days por Sona Azizova pelo Azerbaijão. Completamente inflacionado pelo júri, conseguiu um lugar cimeiro. Dar-lhe-ia um lugar no outro lado da tabela.
  • Os Países Baixos estrearam o Japonês no JESC com a canção Mata Sugu Aō Ne interpretada por Ayana. Toda a atuação, ‘staging’, indumentária… basicamente tudo nipónico. Sendo algo diferente e diga-se bom, ficar em último não me surpreendeu.
  • Espanha trouxe uma atuação que, tirando o anfitrião, cativou o público presente. Porém Levi Diáz não teve vocal suficiente para este Reír, apesar da sua prestação em palco ser medianamente boa. Lugar alcançado surpreendeu, expectaria que ficasse mais bem posicionado.
  • A última dupla veio pela Sérvia e desta vez por duas jovens Jovana e Dunja com Children’s Eyes. Foi uma atuação bem conseguida e pensada com aquele espelho imaginário que as dividia e fazia o reflexo, acabando no fim as duas juntas. Porém não memorável e o resultado na tabela é aceitável.
  • Muito em voga a importância da ecologia e do ambiente, a Macedónia do Norte fez-se apresentar pelo único grupo neste JESC, duas raparigas e dois rapazes. Dajte Muzika com Green Forces foi assim uma ‘mistela’ que nada trouxe de cativante. Fraca atuação que deveria ir para os últimos lugares.
  • Portugal foi quem encerrou as atuações. Simão Oliveira teve uma atuação irrepreensível e foi a mais forte e tocante de todas com O Rapaz. Porém esta proposta foi, a par da proposta ucraniana, a que não esteve apropriada para este festival. Foi a que mais discrepância teve entre júri e público. Teve um ‘plus’ por atuar em último, e o oposto com as imagens nos LED’s a preto e branco do século passado. Lugar aceitável.

(Continua após os vídeos)

 

Terminada que estavam as atuações dos participantes eis que até nisso a organização francesa resolveu inovar (ironia) com recap’s com imagem «encolhida» num retângulo e com o símbolo deste ano ao lado a ocupar muito do espaço. Valentina atuou com J’Imagine durante as votações. Também durante as votações houve já um tradicional momento, a atuação de uma canção com todos os intérpretes a concurso, foi a canção Imagine.

Durante a contagem dos votos, a tão wow! (ironia) esperada surpresa da tarde, Barbara Pravi com o seu Voilà, a participante de França no ESC deste ano. Parece que vai pegar a moda de trazer artistas do ESC atuarem no JESC, espero que não. Nota aqui para a repetição do vestido em vermelho tal como Valentina.

Outra nota a realçar foi a introdução do Francês na canção da Geórgia e do Cazaquistão e ainda o título da canção russa também em Francês. Claro está, tirando a canção de França. No ESC tivemos duas canções no top três em Francês, agora no JESC espero que tenha sido por ser realizado em França. Será uma nova tendência? Mas penso que não, o Inglês continuará a ser dominante.

Chegada a hora de revelar a votação, dura crítica para o voto do júri. Muito compadrio. Contudo, teve o fator de há muito não se ver quer JESC ou ESC uma tão curta margem de pontuação entre os primeiros. Veio a revelação do voto do público, que não foi bem conseguida pela dupla que estava a apresentar este momento. Algum suspense precisava-se. Misturaram em conversação o francês por Élodie Gossuin e o Inglês usado por Olivier Minne, e isso ficou péssimo. A apresentação deste JESC em trio foi mediana, com nota mais positiva para Carla, que esteve a cargo da ‘Green Room’

(Continua após os vídeos)

 

Chegou ao fim mais uma edição do JESC com vitória arménia. Não era das minhas favoritas, mas foi uma vitória de entre as várias propostas merecida e aceitável. Venceu também uma proposta já menos infantojuvenil, e com atuação já de um ESC. E para o ano em princípio teremos JESC na Arménia.

Uma crónica da responsabilidade de Ricardo Dias

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Ricardo Dias

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