EXCLUSIVO/Entrevista a Sabela Maneiro (Tanxugueiras): “’Terra’ fala das nossas mães, avós, do orgulho por pertencer à Galiza”
Créditos da imagem: © Rocío Cibes

EXCLUSIVO/Entrevista a Sabela Maneiro (Tanxugueiras): “’Terra’ fala das nossas mães, avós, do orgulho por pertencer à Galiza”

19/01/2022 0 Por Bernardo Matias

No final de janeiro, o Benidorm Fest 2022 elege o representante de Espanha no Festival Eurovisão da Canção (ESC). As Tanxugueiras estão a concurso com o tema Terra.

A propósito desta participação, o site e-FestivalPT entrevistou em exclusivo Sabela Maneiro, uma das integrantes do trio tradicional galego a par de Olaia Maneiro e Aida Tarrio.

Deixamos-lhe esta entrevista exclusiva na íntegra, em que poderá conhecer melhor as Tanxugueiras, os seus objetivos para o Benidorm Fest e, claro, acerca da canção Terra.

Poderá ler, na íntegra, traduzida para Português, ou em formato áudio com as perguntas em Português e respostas em Galego.

 

e-FestivalPT (e-FPT): Para começar, pedia para se apresentarem ao público português: quem são as Tanxugueiras, como surgiram, como se definem musicalmente?
Sabela Maneiro (SM): “Somos três mulheres que fazemos é música tradicional. Misturamos diferentes géneros musicais, mas a base é tradicional. E somos três mulheres que começámos a ir a associações, colégios, escolas, que nos ensinavam a tocar pandeireta e a cantar. E, aos poucos, fomos entrando no panorama musical tanto galego como internacional”.

 

e-FPT: E qual é a origem do gosto que têm pela música tradicional galega?
SM: “A verdade é que começámos muito novas, porque todos os nossos amigos iam às aulas de pandeireta desde os quatro anos, e nós continuámos a tocar pandeireta. Começámos muito novas”.

 

e-FPT:Qual a origem do nome Tanxugueiras?
SM: “Tanxugueiras é uma toponímia, o nome de umas fazendas, porque nós queríamos que o nosso nome soasse à terra, fosse da terra. Temos uns amigos em Ourense, no concelho de Riós, que nos deram 40 nomes. Até que chegámos ao nome Tanxugeiras, e Tanxugeiras é o nome de umas fazendas”.

 

e-FPT: Tanxugueiras é a Palavra do Ano de 2021 para a Real Academia Galega. Qual é o significado desta distinção?
SM: “A verdade é que ficámos muito emocionadas por ser a palavra do ano. Penso que foi fantástico para fechar o ano. Para nós significa muitíssimo porque quer dizer que nos estão a ouvir muito e mostra a importância da toponímia e dos nomes dos lugares. Estamos muito contentes”.

 

(Continua após o vídeo)

 

e-FPT: Qual é a vossa relação com a Eurovisão? Acompanham o Festival?
SM: “A nossa relação com a Eurovisão é pouca. Simplesmente como todos seguimos à Eurovisão por alto, mas não tínhamos ideia de como se faziam as coisas. Agora já sabemos mais como são as seleções interna e as coisas. A verdade é que a relação que tínhamos era muito pouca”.

 

e-FPT: E tinham pensado em participar na Eurovisão antes?
SM: “Tínhamos na cabeça que as Tanxugueiras podiam estar em todos os tipos de palcos, que podiam tocar em todos os sítios, em todos os lugares. A Eurovisão não entrava na nossa cabeça, nunca planeámos isso. Foi algo que surgiu de repente, assim é a vida!”.

 

e-FPT: Quais são os objectivos das Tanxugeiras para o Benidorm Fest? E pergunto porque acredito que para além da competição, queiram também destacar a cultura da Galiza, é assim?
SM: “Claro, é uma das coisas que mais gostamos, e no final de contas tudo isto que está a acontecer é algo para que todos conheçam a cultura galega: a tradição, o idioma. E saber que em Espanha há muito mais do que o Flamenco. O Flamenco é muito bom, gostamos muito, mas em cada lugar de Espanha há outras músicas, outras culturas. E o que queremos é potenciá-lo e dar-lhe visibilidade”.

 

e-FPT: O Galego não é um idioma muito reconhecido mundialmente. Acreditas que se forem à Eurovisão podem reforçar a imagem internacional do Galego?
SM: “Claro, sim. Afinal é uma plataforma que está aí e portanto claro que daria essa visibilidade ao Galego e que é mais um idioma de Espanha, e uma língua muito antiga – inclusive existia antes do Espanhol, o reino da Galiza existia muito antes. Portanto, é algo que é a nossa cultura e estamos muito contentes por a transmitir”.

 

(Continua após o vídeo)

 

e-FPT: Vão participar com a canção Terra. Do que fala esta canção?
SM: “Terra fala das nossas mães, das nossas avós, da nossa música, do orgulho do povo que todos temos por pertencer à Galiza. E fala também na normalização das línguas oficiais que existem em Espanha. E acima de tudo é um orgulho muito grande que temos da nossa terra, e das nossas avós e das nossas mães que mantiveram isto vivo”.

 

e-FPT: E quais são as inspirações para esta canção?
SM: “A inspiração são as nossas avós, são elas, que mantiveram viva a música tradicional galega. E esta canção é dedicada a todas elas – que fizeram poesia, que fizeram música, apesar de não terem nenhum tipo de estudo nem musical, nem académico. Elas criaram isto tão magnífico”.

 

e-FPT: Esta é a estreia do Benidorm Fest. O que acreditas que o festival vai acrescentar à música espanhola?
SM: “Vai acrescentar muito porque a verdade é que a seleção tem estilos para todos. Então, qualquer pessoa pode sentir-se identificada com qualquer uma das 14 canções. Portanto, creio que é dignificar um pouco o que é a Eurovisão. Em Espanha, nos últimos anos os eurofãs não se sentiam muito representados ou representadas com as candidaturas ou como se faziam as coisas. E creio que vai haver um antes e um depois na hora de se conhecer o que se está a fazer musicalmente em Espanha”.

 

e-FPT: Para concluir, esta é a vossa entrevista, por isso tem agora todo o tempo para enviar qualquer mensagem que queira aos fãs e seguidores em Portugal.
SM: “É uma mensagem que transmito das três, que é: muitíssimo obrigado por todo o apoio. A vida não nos seria suficiente para agradecer todas as mensagens de incentivo, as mensagens de apoio. Muito obrigado. Nós já somos vencedoras por tudo o que está a acontecer. Um forte cumprimento aos nossos fãs portugueses e portuguesas porque nos sentimos muito identificadas com Portugal. Temos um idioma muito parecido e a verdade é que cada vez que vamos a Portugal sentimo-nos como que em casa. E, acima de tudo, que desfrutem da nossa música, que desfrutem da música em Galego. E, sobretudo, para as pessoas que tenham um idioma próprio na sua comunidade, que o defendam, que o transmitam, porque é uma riqueza enorme para qualquer comunidade”.

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