Road to Eurovision’19: O perfil de Portugal e de Conan Osíris
Créditos da imagem: muffinn/Flickr

Road to Eurovision’19: O perfil de Portugal e de Conan Osíris

13/05/2019 0 Por Bernardo Matias

À entrada da semana do Festival Eurovisão da Canção (ESC), é o momento de entrar na reta final do Road to Eurovision’19. Vamos agora focar Portugal, que compete desde 1964 e este ano é representado por Conan Osíris com a canção Telemóveis.

A estreia portuguesa aconteceu em 1964 com António Calvário a interpretar Oração em Copenhaga. Em termos de resultado, o dia 21 de março de 1964 não foi de boa memória, uma vez que o resultado foi o 13.º e último lugar sem pontos. Os resultados não foram muito mais animadores nos anos seguintes, mesmo com canções marcantes em Portugal como Sol de InvernoEle e Ela, O Vento Mudou ou Desfolhada Portuguesa – com a qual Simone de Oliveira foi a primeira a participar por Portugal mais do que uma vez tendo chegado a ser considerada pelos jornalistas e outros participantes como candidata a ganhar. No entanto, ficou apenas em 15.º.

Depois da primeira ausência em 1970, Tonicha deu o primeiro top dez a Portugal em 1971 com Menina do Alto da Serra a ficar em nono no ESC 1971, seguindo-se mais dois top dez (A Festa da Vida de Carlos Mendes ficou em sétimo, o terceiro melhor resultado de sempre; e Tourada de Fernando Tordo foi décima em 1973). Em 1979 e 1980, nova sequência de top dez: primeiro com o nono lugar de Sobe, sobe, balão sobe na voz de Manuela Bravo em 1979 e, depois, com Um Grande, Grande Amor de José Cid.

É difícil não encontrar canções concorrentes ao ESC até meados dos anos 1990 que não tenham ficado na memória coletiva portuguesa, entre elas Lusitana Paixão de Dulce Pontes que valeu o oitavo posto em 1991 ou Chamar a música de Sara Tavares que teve um resultado similar três anos depois. Em 1996, Lúcia Moniz ficou em sexto com O meu coração não tem cor, naquela que é a segunda melhor classificação da história.

Em 2000 e 2002 Portugal voltou a ausentar-se, ao passo que a partir de 2004, quando as semifinais foram introduzidas, demorou quatro ano a ‘quebrar o enguiço’ para conseguir o apuramento para o espetáculo decisivo. A primeira a fazê-la foi Vânia Fernandes, cujo tema Senhora do Mar (Negras Águas) pode não ter ido além de 13.º na final mas ainda conseguiu o Prémio de Imprensa no âmbito dos Marcel Bezençon Awards. Após três presenças na final consecutivas até 2010, Portugal voltou a falhar em 2011 e 2012, ficou ausente em 2013, e nos dois anos subsequentes ficou novamente eliminado nas semifinais antes de abdicar mais uma vez em 2016.

O ano de 2017 marcou o regresso em grande. Fazem precisamente dois anos nesta data que Salvador Sobral encantou a Europa e o mundo em Kiev com Amar pelos dois, conquistando a vitória com um recorde de pontuação que ainda prevalece. A Eurovisão veio a Lisboa no ano passado e, apesar da boa organização, o desfecho da participação portuguesa não foi condizente: Cláudia Pascoal quedou-se pelo 26.º lugar da final com O Jardim.

A RTP, única emissora estatal, é a responsável pela participação de Portugal no Festival Eurovisão da Canção. Espanha é o país que mais pontos recebeu de Portugal (209, somando semifinais e finais), ao passo que França é quem mais tem pontuado o nosso país (250 pontos). Por 51 vezes as canções lusas foram cantadas no Idioma Português, mas também já existiram propostas com letra em Inglês, Espanhol e Francês, nunca faltando o Português.

Conan Osíris é o responsável por representar Portugal no ESC, depois de ganhar o Festival RTP da Canção em março passado. Aos 30 anos, nascido Tiago Miranda, dedica-se à música desde 2008, dividindo-se entre o Fado, Art pop, Worldbeat, Indie house e Techno. Em 2010 lançou o EP Cathedral com Rita Moreira (irmã do bailarino João Reis Moreira) no grupo Powny Lamb, sendo o tema Secluded (destinado ao estilista Iuri para o ModaLisboa) o primeiro em que usa o nome Conan Osíris (em 2013). Nos tempos subsequentes, continuou a compor para o ModaLisboa.

Em 2014, lançou o seu segundo EP, Silk, ao passo que Música, Normal chegou em 2016 e Adoro Bolos em 2017. Foram estes dois álbuns que ‘catapultaram’ Conan Osíris para a ribalta e o fizeram dedicar-se exclusivamente à música deixando a rede de lojas sex shop em que trabalhava. No ESC, o cantor defende Telemóveis, um tema que tem muito de Fado, Techno, Pop e música árabe que é, porventura, uma das propostas mais arrojadas da história para Portugal.

Portugal:

  • Estreia: 1964 – António Calvário, Oração (Resultado: 13.º lugar)
  • Participações anteriores: 50
  • Melhor resultado: Vitória em 2017 (Salvador Sobral, Amar pelos dois)
  • Pior resultado: 19.º lugar na semifinal de 2006 (Nonstop, Coisas de Nada (Gonna Make You Dance))
  • Concurso de seleção nacional: Festival RTP da Canção
  • Anfitrião: Uma vez (2018: Lisboa)
  • Emissora responsável: RTP
  • Representante em 2019: Conan Osíris, Telemóveis

Conan Osíris:

  • Idade: 30 anos (nascido a 5 de janeiro de 1989)
  • Nome civil: Tiago Miranda
  • Nacionalidade: Portuguesa
  • Início de carreira: 2008
  • Singles: 1 (Telemóveis)
  • Álbuns: 2 (Primeiro: Música, Normal, 2016)
  • EPs: 2 (Primeiro: Cathedral, 2011)
  • Géneros: Art Pop, Pop, Fado, Worldbeat, Indie house, Techno

Telemóveis:

  • Géneros: Fado, Techno, Art pop
  • Idioma: Português
  • Intérprete: Conan Osíris
  • Letra: Conan Osíris
  • Composição: Conan Osíris

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