Rumores sugerem que a Hungria saiu da Eurovisão em 2020 pela conotação homossexual do concurso
Créditos da imagem: Andres Putting

Rumores sugerem que a Hungria saiu da Eurovisão em 2020 pela conotação homossexual do concurso

28/11/2019 0 Por Bernardo Matias

A Hungria fica de fora do Festival Eurovisão da Canção (ESC) do ano que vem e, semanas depois de conhecida a decisão, surgem rumores de que a mesma se deveu ao facto de o Governo de extrema-direita do país e os responsáveis da emissora MTVA considerarem o concurso… ‘demasiado gay’.

Não é segredo que o primeiro-ministro Viktor Orbán, anti-migração, lançou uma política familiar para ajudar as famílias tradicionais e aumentar a natalidade. A posição dos órgãos governamentais sobre a homossexualidade tem vindo a ser bem vincada, com o speaker do parlamento húngaro a ter comparado, já este ano, a adoção por casais do mesmo sexo à pedofilia.

Por outro lado, o comentador televisivo pró-governo András Bencsik já se referiu à Eurovisão como “uma frota homossexual”, sustentando que ao ficar de fora a Hungria beneficiaria a saúde mental do país: “Gosto da decisão, incluindo de uma perspetiva de saúde mental, de a Hungria não participar na frota homossexual a que esta competição de canções internacional foi reduzida. Vários jovens pensaram que isto é para pessoas com menos de 18 anos, mas neste evento a destruição do gosto público acontece com travestis gritantes e mulheres de barba”.

A retórica homofóbica naquele país leste-europeu tem vindo a aumentar  de tom. Agora, o jornal The Guardian escreve que uma fonte da emissora nacional MTVA disse que os funcionários da mesma assumiram que a associação do ESC à cultura LGBTQ+ esteve por trás da decisão de desistir de participar no concurso.

É certo que não foi avançada nenhuma justificação ao nível oficial. Em todo o caso, a fonte em causa assegura que a decisão surge da cultura organizacional da MTVA, sendo que a imprensa pública húngara está intimamente ligada ao governo e é fulcral para transmitir as posições governamentais sobre temas como a migração. Já antes o site index.hu, citando fontes internas da MTVA, especulou sobre a eventual causa da saída da Hungria do ESC residir no facto de o evento ser considerado “demasiado gay”.

O porta-voz do primeiro-ministro já classificou essa notícia como falsa nas redes sociais, mas também não especificou as razões que levaram a Hungria a sair do ESC em 2020. Num comunicado enviado ao The Guardian, a emissora garante que a opção se deveu ao foco da aposta no apoio direto a “produções meritórias criadas pelos talentos da música pop húngara”.

Nota editorial: O e-FestivalPT prima pela liberdade de pensamento, de expressão e liberdade de orientação sexual, bem como pela total isenção e rigor no tratamento de informação, pelo que este artigo não transmite qualquer tipo de posição sobre o assunto.

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