«Slava Ukraini»: Kalush Orchestra e Ucrânia ganharam Eurovisão 2022; Portugal em nono
Créditos da imagem: EBU / Andres Putting

«Slava Ukraini»: Kalush Orchestra e Ucrânia ganharam Eurovisão 2022; Portugal em nono

15/05/2022 0 Por Bernardo Matias

A Ucrânia é a grande vencedora do Festival Eurovisão da Canção (ESC) 2022, com Kalush Orchestra e a canção Stefania. É a terceira vitória do país. A grande final do certame aconteceu esta noite no PalaOlimpico em Turim (Itália), e Portugal ficou em nonoº lugar.

 

O resumo da gala

A final do ESC 2022 começou com uma atuação numa das praças principais de Turim (pré-gravada) do super grupo Rockin’ 1000. Deu-se então a entrada na arena, onde a sequência continuou com a atuação da também apresentadora Laura Pausini interpretando um medley com alguns clássicos da sua carreira. Seguiu-se o habitual desfile de bandeiras introduzindo os 25 países finalistas.

 

  • 1. República Checa: Depois de fechar a segunda semifinal, a República Checa foi a primeira a atuar na final. Os We Are Domi deram um começo enérgico ao espetáculo com o tema electropop Lights Off a trazer um verdadeiro espetáculo de som e luz ao PalaOlimpico.

 

  • 2. Roménia: Mantendo um ritmo dançável, a Roménia foi a segunda em palco, com o contagiante som do pop latino de Llámame, de WRS. O intérprete, acompanhado de quatro dançarinos, foi protagonista de uma das atuações mais dinâmicas da noite, plena de movimento ao longo dos três minutos.

 

  • 3. Portugal: Depois de um início muito agitado, as emoções foram outras com Portugal e MARO, com o tema saudade, saudade. Uma atuação com um «staging» algo minimalista, mas tocante com a emotiva canção carregada de sentimento.

 

  • 4. Finlândia: De regresso a um ritmo «uptempo», a Finlândia trouxe o hard rock dos The Rasmus, com Jezebel. Na encenação em que dominaram os tons de amarelo e preto e os balões gigantes, a proposta finlandesa não pecou por falta de energia.

 

  • 5. Suíça: Contrastando com a entrada anterior, foi a vez da Suíça. Marius Bear apresentou a balada sentimental Boys Do Cry, num «staging» escurecido com a clara intenção de destacar a canção e as suas emoções e tirar até algum protagonismo ao cantor.

 

Após a atuação da Suíça, houve uma curta pausa, enquanto o palco foi preparado para a França.

 

  • 6. França: Cavour foi o postcard introdutório de França. Os ritmos folclóricos celtas misturados com a música electrónica seguiram-se com França, representada por Alvan & Ahez com a canção Fulenn. O palco foi dominado pelo verde e não faltou fogo (ou não fosse Fulenn a palavra bretã para Faísca).

 

  • 7. Noruega: O irreverente dance-pop dos mascarados de lobo Subwoolfer deu sequência ao desfile de canções com Give That Wolf a Banana. Com pirotecnia a não faltar, foi uma das atuações com movimento constante e que seguramente deixou poucos espectadores sentados no sofá.

 

  • 8. Arménia. Numa das canções talvez mais refrescantes desta edição, a Arménia entrou em palco com Rosa Linn e Snap. Começando «fechada» num espaço que recria um quarto forrado a post-its, a cantora foi-se movendo pelo cenário, antes de «abrir» uma das paredes ficando exposta através de um círculo à audiência no local.

 

A primeira verdadeira pausa entre canções foi após a Arménia, com uma compilação das melhores imagens da primeira semifinal a abrir caminho para a anfitriã.

 

  • 9. Itália: No regresso às canções a concurso, as bancadas quase «vieram abaixo» com a ovação a Mahmood & Blanco, em representação da anfitriã Itália com a canção Brividi. O postcard foi em Turim, cidade que acolhe o certame. A encenação pouco sumptuosa joga com a iluminação, em que houve um terceiro elemento: um pianista. Foi mais uma das atuações que apelou ao sentimento e à alma.

 

  • 10. Espanha: Alagna Valsesia foi a região introduzida no postcard de mais um Big 5, agora Espanha. Chanel interpretou o seu muito latino tema SloMo, em que foi acompanhada de cinco dançarinos. A própria intérprete não deixou de se movimentar bastante em palco, em mais um número muito dinâmico apelativo à dança.

 

  • 11. Países Baixos: S10, dos Países Baixos, interpretou o seu tema alt-pop De Diepte, sozinha em palco e vestida de preto. O escuro inicial deu lugar à iluminação em tons quentes à medida que a canção evoluiu e o ritmo subiu.

 

  • 12. Ucrânia: Uma proposta mais sentimental como foi a dos Países Baixos foi seguida da Ucrânia, com os sons folclóricos e étnicos do país mesclados com o rap na animada canção Stefania dos Kalush Orchestra. Mais uma das atuações movimentadas que não deixa ninguém indiferente.

 

Entre as atuações da Ucrânia e da Alemanha houve um curto interregno para preparar o palco, com Alessandro Cattelan e Mika juntos da green room.

 

  • 13. Alemanha: Lingotto foi a região que serviu de postcard para a Alemanha. Malik Harris representou o país com a canção Rockstars, num «staging» que replicou um estúdio de gravação musical. O artista «tocou» viola enquanto cantou em parte da canção, que é um tema pop com um toque rap a certo momento.

 

  • 14. Lituânia: Numa das propostas mais únicas do ESC 2022, foi a vez da Lituânia. Monika Liu, com um vestido espelhado, apresentou uma canção vincadamente diferente: Sentimentai, com um estilo muito cabaret e em idioma Lituano pela primeira vez numa final eurovisiva.

 

  • 15. Azerbaijão: Em mais um tema que apela mais ao sentimento do que ao movimento, foi a vez do Azerbaijão com Nadir Rustamli e Fade To Black. Num palco sempre escuro em que o elemento central foi uma espécie de escadaria, o intérprete começou sozinho, juntando-se depois um dançarino com os dois a interagirem. A escadaria acabou a dividir-se a meio deixando um de cada lado.

 

  • 16. Bélgica: Jérémie Makiese representou a Bélgica com Miss You. Acompanhado de quatro dançarinos e com indumentária num estilo muito urbano, tratou-se de uma balada pop bem ao jeito James Bond, com a iluminação em tons quentes a dominar.

 

Entre as atuações da Bélgica e da Grécia houve a segunda pausa mais prolongada entre canções, que serviu para promover o CD e DVD oficiais do ESC 2022 e mostrar o resumo da segunda semifinal.

 

  • 17. Grécia: Num palco dominado pelo azul escuro, e vestida de branco, Amanda Georgiadi Tenfjord representou a Grécia com a poderosa balada Die Together. O palco incluiu também estruturas que fazem lembrar cadeiras.

 

  • 18. Islândia: Numa das canções mais particulares da noite, foi a vez das islandesas Systur. Með Hækkandi Sól é um tema com uma sonoridade country, e o staging e a indumentária acompanhou a linguagem musical.

 

  • 19. Moldávia: A Moldávia apresentou uma das canções folclóricas desta semifinal, porventura a mais animada e movimentada: Trenulețul, dos Zdob și Zdub & Frații Advahov. A atuação, bem dinâmica e divertida, assim como as roupas e o staging (único a fazer uso das pontes levadiças de acesso ao palco satélite), não deixou ninguém indiferente nem sentado no seu lugar.

 

  • 20. SuéciaHold Me Closer começa por parecer uma balada, com a intérprete Cornelia Jakobs a começar sentada no palco. Esta proposta da Suécia vai crescendo em ritmo e em dinamismo da intérprete em palco, acabando com uma sonoridade pop-rock e até alguma pirotecnia. Uma canção e atuações fortes, justificando o estatuto de candidata à vitória.

 

De modo a preparar o palco para a Austrália, houve uma curta pausa após a atuação da Suécia, com Mika a partir da green room.

 

  • 21. Austrália: Seguiu-se a Austrália, com a balada pop Not The Same de Sheldon Riley. Num «staging» escuro, em que o intérprete esteve vestido com um sumptuoso vestido branco e envergou uma espécie de máscara durante parte da atuação, foi-se movimentando pela escadaria em palco. Uma canção e interpretações emotivas.

 

Sendo os palcos da Austrália e do Reino Unido de complicada montagem, houve uma curta pausa entre estas duas atuações.

  • 22. Reino Unido: Pela primeira vez, foi apresentado o postcard em Orta San Giulio, para o Reino Unido que foi um finalista direto. Sam Ryder apresentou a forte canção pop Space Man. Carismático, o intérprete esteve no meio de uma grande estrutura metálica (o maior adereço desta edição), numa atuação marcante. Consigo, em plano muito secundário e praticamente invisíveis, estiveram um guitarrista e um baterista.

 

Devido à complexidade da desmontagem do palco do Reino Unido, houve uma pequena passagem pela green room com Mika antes de chegar a Polónia.

  • 23. Polónia: Seguiu-se mais uma das candidatas aos lugares cimeiros, a Polónia. Ochman interpretou a balada potente River, com efeitos especiais de água na imagem televisiva em parte da atuação. A acompanhar o intérprete estiveram quatro dançarinos, numa cenografia com cores frias e escuras. Foi um «staging» a apelar ao sentimento (e conseguiu).

 

  • 24. Sérvia: Em mais um momento que não deixa ninguém indiferente – desde logo pela peculiar coreografia das mãos, mas também pelo caráter «catchy» de boa parte da letra de In Corpore Sano e do seu significado de crítica política – a Sérvia foi a penúltima em palco. Konstrakta esteve acompanhada de cinco coristas, sempre sentada diante da bacia onde por vezes lavou as mãos.

 

  • 25. Estónia: E eis que se chegou ao fim do desfile de canções a concurso do ESC 2022. As honras couberam à Estónia, com Stefan e o seu tema country-pop Hope. A atuação foi acompanhada de tons sépia na imagem televisiva em alguns momentos, com o intérprete a começar no palco satélite para depois ir para o principal, antes de terminar de novo no satélite. As cores quentes dominaram a iluminação, e nos ecrãs LED do piso passaram, a espaços, imagens de solo árido bem ao estilo «faroeste» americano que a canção sugere.

 

Terminadas as atuações a concurso, foi o momento de abrir as linhas telefónicas de votação e de uma primeira recapitulação das canções.

Seguiu-se a atuação dos Måneskin, vencedores do ano passado, na estreia ao vivo do seu mais recente single, SuperModel, lançado ontem.

Após nova recapitulação, tempo para o regresso ao ESC da histórica Gigliola Cinquetti, a vencedora do ESC 1964, interpretando o tema com que ganhou: Non ho L’Età.

Uma VT destacando algumas indumentárias, visuais e «stagings» mais peculiares da história do ESC ocupou o tempo para preparar a atuação de Mika, com quatro dos temas que marcaram a sua carreira musical: incluindo aquele que foi dos seus maiores êxitos: Grace Kelly. Um momento com muita cor e repleto de dançarinos em palco.

Volvida a última recapitulação, houve uma passagem pela Estação Espacial Internacional com uma mensagem de uma astronauta italiana. Chegou o encerramento das linhas telefónicas de votação… para então se entrar na viagem pelos 40 países a concurso no anúncio dos resultados dos júris nacionais iniciando nos Países Baixos e acabando na anfitriã Itália. Com 283 pontos, o mais votado foi o Reino Unido.

Por ordem do último para o primeiro na classificação do júri, foram revelados os votos do público. O país mais votado, somando 439 pontos, foi a Ucrânia. Assim, a vitória foi da Ucrânia, com um total de 631 pontos: votação só ultrapassada pela de Portugal em 2017. No que toca ao televoto, é mesmo um recorde absoluto.

Depois das votações e da entrega do troféu aos vencedores, Kalush Orchestra, a final encerrou como habitualmente com a atuação dos vencedores.

 

Resultados

(Clique nos títulos para ver as atuações)

1.º Ucrânia/Kalush Orchestra: Stefania – 631 pontos
2.º Reino Unido/Sam Ryder: Space Man – 466 pontos
3.º Espanha/Chanel: SloMo – 459 pontos
4.º Suécia/Cornelia Jakobs: Hold Me Closer – 438 pontos
5.º Sérvia/Konstrakta: In Corpore Sano – 312 pontos
6.º Itália/Mahmood & Blanco: Brividi – 268 pontos
7.º Moldávia/Zdob și Zdub & Frații Advahov: Trenulețul – 253 pontos
8.º Grécia/Amanda Tenfjord: Die Together – 215 pontos
9.º Portugal/MARO: saudade, saudade – 207 pontos
10.º Noruega/Subwoolfer: Give That Wolf a Banana – 182 pontos
11.º Países Baixos/S10: De Diepte – 171 pontos
12.º Polónia/Ochman: River – 151 pontos
13.º Estónia/Stefan: Hope – 141 pontos
14.º Lituânia/Monika Liu: Sentimentai – 128 pontos
15.º Austrália/Sheldon Riley: Not The Same – 125 pontos
16.º Azerbaijão/Nadir Rustamli: Fade to Black – 106 pontos
17.º Suíça/Marius Bear: Boys Do Cry – 78 pontos
18.º Roménia/WRS: Llámame – 65 pontos
19.º Bélgica/Jérémie Makiese: Miss You – 64 pontos
20.º Arménia – Rosa Linn: Snap – 61 pontos
21.º Finlândia/The Rasmus: Jezebel – 38 pontos
22.º República Checa/We Are Domi: Lights Off – 38 pontos
23.º Islândia/Systur: Með Hækkandi Sól – 20 pontos
24.º França/Alvan & Ahez: Fulenn – 17 pontos
25.º Alemanha/Malik Harris: Rockstars – 6 pontos

 

Votação do júri

1.º Reino Unido/Sam Ryder: Space Man – 283 pontos
2.º Suécia/Cornelia Jakobs: Hold Me Closer – 258 pontos
3.º Espanha/Chanel: SloMo – 231 pontos
4.º Ucrânia/Kalush Orchestra: Stefania – 192 pontos
5.º Portugal/MARO: saudade, saudade – 171 pontos
6.º Grécia/Amanda Tenfjord: Die Together – 158 pontos
7.º Itália/Mahmood & Blanco: Brividi – 158 pontos
8.º Países Baixos/S10: De Diepte – 129 pontos
9.º Austrália/Sheldon Riley: Not The Same – 123 pontos
10.º Azerbaijão/Nadir Rustamli: Fade to Black – 103 pontos
11.º Sérvia/Konstrakta: In Corpore Sano – 87 pontos
12.º Suíça/Marius Bear: Boys Do Cry – 78 pontos
13.º Bélgica/Jérémie Makiese: Miss You – 59 pontos
14.º Polónia/Ochman: River – 46 pontos
15.º Estónia/Stefan: Hope – 43 pontos
16.º Arménia – Rosa Linn: Snap – 40 pontos
17.º Noruega/Subwoolfer: Give That Wolf a Banana – 36 pontos
18.º Lituânia/Monika Liu: Sentimentai – 35 pontos
19.º República Checa/We Are Domi: Lights Off – 33 pontos
20.º Moldávia/Zdob și Zdub & Frații Advahov: Trenulețul – 14 pontos
21.º Roménia/WRS: Llámame – 12 pontos
22.º Finlândia/The Rasmus: Jezebel – 12 pontos
23.º Islândia/Systur: Með Hækkandi Sól – 10 pontos
24.º França/Alvan & Ahez: Fulenn – 9 pontos
25.º Alemanha/Malik Harris: Rockstars – 0 pontos

 

Votação do público

1.º Ucrânia/Kalush Orchestra: Stefania – 439 pontos
2.º Moldávia/Zdob și Zdub & Frații Advahov: Trenulețul – 239 pontos
3.º Espanha/Chanel: SloMo – 228 pontos
4.º Sérvia/Konstrakta: In Corpore Sano – 225 pontos
5.º Reino Unido/Sam Ryder: Space Man – 183 pontos
6.º Suécia/Cornelia Jakobs: Hold Me Closer – 180 pontos
7.º Noruega/Subwoolfer: Give That Wolf a Banana – 146 pontos
8.º Itália/Mahmood & Blanco: Brividi – 110 pontos
9.º Polónia/Ochman: River – 105 pontos
10.º Estónia/Stefan: Hope – 98 pontos
11.º Lituânia/Monika Liu: Sentimentai – 93 pontos
12.º Grécia/Amanda Tenfjord: Die Together – 57 pontos
13.º Roménia/WRS: Llámame – 53 pontos
14.º Países Baixos/S10: De Diepte – 42 pontos
15.º Portugal/MARO: saudade, saudade – 36 pontos
16.º Finlândia/The Rasmus: Jezebel – 26 pontos
17.º Arménia – Rosa Linn: Snap – 21 pontos
18.º Islândia/Systur: Með Hækkandi Sól – 10 pontos
19.º França/Alvan & Ahez: Fulenn – 8 pontos
20.º Alemanha/Malik Harris: Rockstars – 6 pontos
21.º Bélgica/Jérémie Makiese: Miss You – 5 pontos
22.º República Checa/We Are Domi: Lights Off – 5 pontos
23.º Azerbaijão/Nadir Rustamli: Fade to Black – 3 pontos
24.º Austrália/Sheldon Riley: Not The Same – 2 pontos
25.º Suíça/Marius Bear: Boys Do Cry – 0 pontos

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