Paulo de Carvalho sobre a Eurovisão: “Aquilo combina-se tudo”
Créditos da imagem: Pedro Pina | RTP

Paulo de Carvalho sobre a Eurovisão: “Aquilo combina-se tudo”

09/06/2021 0 Por Bernardo Matias

Paulo de Carvalho teceu críticas ao Festival Eurovisão da Canção (ESC), considerando que há uma espécie de combinação dos resultados em que raramente ganha a música em si.

As polémicas declarações do representante de Portugal em 1974 surgiram em entrevista ao Posto Emissor, da Blitz, onde referiu: “O Festival Eurovisão, aquele que eu conheço – e estive lá duas vezes e pelo que ouvi dos companheiros que lá estiveram – é uma coisa que é cozinhada. De vez em quando eles distraem-se e, quando se distraem, até pode ganhar uma enorme canção, uma grande canção – como foi o caso do Salvador e da Luísa. Só que nós se ganharmos aquele festival é um bocado por distração do adversário – porque aquilo combina-se tudo. Vemos todos os anos que um dá os votos àquele”.

Em 1974, Paulo de Carvalho somou apenas três pontos com a canção E Depois do Adeus, admitindo que ficou frustrado: “Uma das frustrações da minha vida, e não tenho muitas, foi os espanhóis darem-me dois votozinhos e o Luxemburgo um votozinho. Porque mais vale não darem nada. Assim toda a gente via, porque depois vem aquela conversa: ‘Estão a ver? A canção não interessa, só teve não sei quantos votos’. Não, interessa. A canção era muito boa ao pé das outras que lá estavam nesse ano. E temos outras cantigas que são muito boas ao pé de outras que lá estavam. Só aquilo é tudo cozinhado. É bom que o público tenha isso em atenção: aquilo tem pouco a ver com música”.

De recordar que, além de ter estado como intérprete e autor em 1974, Paulo de Carvalho assinou também a autoria do tema A cidade (até ser dia), que na voz de Anabela levou Portugal até ao décimo lugar em 1993.

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